O apego, o ciúme e a falta de confiança

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Levanta a mão quem nunca sonhou e desejou ter um amor pra chamar de seu. Aquele amor cúmplice, companheiro, que te vê por dentro, conhece todas as suas fraquezas e até do avesso? Aquele com quem você pode contar. Que te faz sentir calafrios como era nos primeiros dias. Aquele amor que quer te ver crescer. Aquele que te aceita com amor mesmo quando não concorda com uma palavra do que você diz. Aquele amor que sabe que militar em causas faz parte do que você é.

Muita gente sonha em ter essa graça. Poucos têm a sorte. Muitos passam a vida infelizes por que lhes falta isso. Faz parte do ser humano querer alguém pra dividir a vida – mesmo eu que não gosto muito de gente sei que caminhar sozinho deve ser horrível. Mesmo aqueles que buscam a relação perfeita (que não existe) ou que ciscam aqui e ali estão no fundo tentando encontrar um amor para si. Acontece que muitas pessoas, por saber da dificuldade de achar sua metade e saberem que o amor pressupõe liberdade o aprisionam. Tipo: “Nossa! Demorei pra te encontrar. Agora tenho que cuidar pra ninguém te roubar de mim.” E isso não tem nada a ver com cuidado, mas com apego. Li uma frase da Ana Carolina (te amo!!) que dizia que não somos donos das pessoas. Logo se não as temos não podemos perdê-las. E é bem isso mesmo. Não somos donos uns dos outros. Se tenho alguém do meu lado é por que essa pessoa escolheu caminhar comigo. Ninguém pode ser obrigado a nada. O amor precisa respirar e quando ele é aprisionado dentro de uma jaula ele murcha e por vezes morre.

Eu já fui uma mulher doente de ciúme. Doente mesmo. Do tipo louca desvairada que cronometra o tempo que o parceiro demorava pra chegar em casa. Que queria saber cada passo. Que queria saber com quem ele conversou na rua. Que olhava a conta de celular de cabo a rabo procurando um número desconhecido ou suspeito. À época eu não trabalhava ou estudava e vivia por conta da casa e filho e é como dizem: “cabeça vazia, oficina do diabo.”. Depois de muito sofrer (sim o ciumento sofre demais. Quem não é ciumento não faz ideia do tanto) eu decidi que minha vida não seria mais pautada pela vida do outro. Daí eu voltei pra igreja e fui estudar. Outra coisa aconteceu na minha vida nessa época, mas isso fica só pra mim. Seguindo: fui ocupar minha vida com outras coisas, comecei a me valorizar mais e perceber que eu também era desejável, bonita, inteligente. Com uma valorização do meu “EU” eu desfoquei do outro. Fiquei segura de mim e vi que o mundo me oferecia um leque enormes de coisas pra fazer, mesmo que algumas deles eu tivesse que adiar pra outro momento. E assim, sozinha, tomando consciência de mim mesma, me curei do ciúme louco. Muitas vezes ele tenta voltar, mas eu não deixo. Hoje com 38 anos, com a cabeça que tenho não tem mais cabimento enlouquecer com nada mais. Nada!

Outra faceta do apego e do ciúme é a falta de confiança. E isso acaba com qualquer relacionamento. Sério. Sabe quando você faz de tudo pra provar pro outro que você o ama e ama muito, está feliz com ele, não tem cabeça, olhos ou qualquer outra coisa por ninguém e mesmo assim não acreditam? É isso. Você repete mil vezes: “Pensa. Não sou obrigada a ficar com você, mas escolhi estar aqui.” E também: “Eu posso sair, ver coisas, conversar com pessoas, mas isso não quer dizer que vou trair você.” Mas não adianta. Por ter feito isso com os outros antes, eu sei mais do que ninguém como dói a falta de confiança. Dói demais e por vezes o outro não tem culpa alguma.  Só não quer viver dentro de uma gaiola.

Eu não quero ter jamais a pretensão de ditar nada pra vida de ninguém. Só estou expondo minha opinião sobre algo que já vivi. E por ter sentido na pele o que o apego, o ciúme doentio e a falta de confiança fazem, digo com toda certeza do meu coração não querer viver isso novamente. É falta de humanidade fazer isso com o outro. Como meta de vida não reviver isso novamente, cuido da minha auto estima todo dia. Por que gente segura de si e do amor do seu parceiro/parceira não precisa de nada disso. A relação flui de forma gostosa, leve e linda.

E quem é bobo de perder um amor assim?

 

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