Mundos paralelos…

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Desde pequena eu tenho o hábito de criar mundos. Já criei vários e conforme crescia ia trocando uns pelos outros. Já “vivi” em um lugar onde não tínhamos que comprar nada e tudo era na base da permuta. Eu trocaria um pouco de feijão com quem tinha arroz e ninguém passava fome. Outra vez “morei” em um lugar onde nenhuma criança ficava doente e todas eram saudáveis e felizes e não precisavam crescer nunca… E por ai vai. Fazendo uma análise em retrospecto eu sempre criava mundinhos nos momentos onde algo me incomodava profundamente e, de certa forma, era um jeito de passar por situações que eu não conseguia dar conta. Algumas pessoas fazem terapia. Eu crio mundos paralelos.

Isso sempre funcionou pra mim, pois não ficava presa à minha criação. Assim que o problema passava eu largava aquele sonho de lado e criava outro. Não entendo bulhufas de psicologia, mas sei que la deve ter alguma coisa que explique essa semi loucurinha minha. Digo semi por que nunca coloquei meus dois pés lá. Sempre tive consciência da realidade, mas muitas vezes eu desejava com todas as minhas forças morar de vez nos diversos mundos que eu criava.

Hoje, fui visitar uns blogs de decoração e me deparei com uma foto que me fez lembrar na hora, e de forma tão forte, de um apartamento que “morei” por um tempo (no mundo que eu criei) e pude sentir até o cheiro do lugar – por que quando criava algum espaço eu tinha que ser detalhista: se o chão tinha poeira, se o lugar tinha um cheiro característico e talz pra me sentir nele de verdade –  O apartamento que criei era mais artiguinho, possuía portas pintadas de cinza com maçanetas de apertar, paredes brancas um pouco envelhecidas, piso de taco, banheiro com azulejos cor de rosa e uma banheira. Apenas dois quartos. Na cozinha tinha um armário de pé, uma pia, uma mesa pequena com quatro cadeiras , um fogão branco e um filtro de barro numa cantoneira. Vidros antigos nas janelas que eram grandes e de correr… . Tudo muito simples como as coisas boas da vida! Pra completar o quadro, eu vivi mentalmente nele, a tradução da paz, sossego, verdade e acolhimento: acordar sábado de manha, vestir meu roupão branco. Ir até à sala, abrir um pouco a janela pra deixar os primeiros raios de sol entrar. Preparar uma bela caneca de capuccino, pegar meu livro do momento, me deitar no sofá e ficar ali lendo, tomando minha bebida e vendo os raios de sol aquecer o piso… Deu vontade de chorar nessa hora tamanha era a saudade desse lugar imaginário. Coisa louca, eu sei!

Desconfio que, ao acordar essa criação, eu me mostrei mais uma vez que necessito urgente dessa paz. De ser quem eu sou de verdade sem me preocupar com as pessoas, com o que vão dizer. Ser responsável pela minha felicidade e assumir que só eu posso fazer isso por mim. Ninguém mais. Vejo que a vida está passando e eu estou perdendo tempo. Mesmo acreditando que tenho toda a eternidade pela frente, sinto certa urgência de ser feliz. Como se a vida fosse acabar daqui a pouco.

Preciso trazer pra realidade da minha vida, este meu lugar favorito, bem como as boas sensações que ele me transmite. Já chega de fugir pra um mundo que só existe na minha cabeça!

 

 

 

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