CAMINHO REVERSO

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Quando me casei, lá em 1998, morei por 4 meses na casa dos meus pais. Vivemos esse tempo no meu quarto que era minusculo. Mas sabe como é que é, né? Casal apaixonado, recém casado nem pensa em nada a não ser namorar namorar e namorar. E pra isto basta uma cama. =) Nós ficamos esse tempo alojados por lá por falta de grana, uma vez que meu marido tinha comprado a casa que sua mãe tanto sonhara e precisava. Não sobrou nada pra gente, mas a carinha de felicidade e alívio dele por deixar a mãe em um bom lugar fazia com eu nem me lembrasse que nós não tínhamos uma casinha.

Dai chegou o mês de abril e com ele a renovação de contrato. Com isso pudemos alugar um apartamento, comprar móveis e enfim ter nosso tão sonhado cantinho. Alugamos um apartamento enorme com três quartos, sala, copa, cozinha, suite e por ai vai. E aquilo pra mim era perfeito. Um lugar com bastante espaço e conforto e eu fui bem feliz por lá. Mas ainda não estava bom. Queríamos uma cobertura. E compramos a tão sonhada cobertura. Era uma apê bem grande com uma área externa muito boa, churrasqueira e até banheira tinha. Eu me mudei pra lá grávida e algum tempo depois perdi o bebê. Aquele espaço todo perdeu a graça de uma hora pra outra e quando a tristeza começava a machucar mais forte por conta do aborto recebo a linda noticia de que estava esperando outro neném. A alegria me alcançou e dai tudo na minha vida girava em torno de decorar o quarto do bebê, mudar algumas coisas no apartamento pra receber com segurança aquela vida tão sonhada, desejada e amada que estava chegando.

Meu filho nasceu e passamos mais nove meses nesse apartamento… Estranho que quando penso nele não consigo achar muitas lembranças. Ele não me marcou muito. Em janeiro de 2001 fomos morar em Porto Alegre. Nosso cantinho nessa cidade tinha apenas 2 quartos, mas era enorme. Super confortável, bem decorado, prédio com área de lazer, elevador e porteiro… E eu fui muito feliz por lá. Ao voltarmos para BH decidimos nos mudar novamente para um local que tivesse elevador, pois com filho pequeno tudo era mais difícil (bolsa, carrinho e afins mais o filho no colo subindo escadas? Não combina muito!). Acabamos nos mudando para outra cobertura nova, bem maior, com elevador como queríamos. A partir dai minha ficha caiu sobre morar em espaços muito amplos.

Eu simplesmente não dava conta de limpar. A area externa, onde tinha a sauna, churrasqueira e ducha vivia suja. Nós raramente íamos lá fora, quase nunca recebíamos visita e eu percebi que aquilo tudo me fazia mais triste do que alegre. Nesse momento eu decidi que queria morar em um lugar menor, com apenas um piso e que eu não morresse de cansaço depois de limpar. Troquei de apartamento com minha vizinha. Ela subiu e eu desci e isso foi a melhor coisa que já fiz por mim. Durante muito tempo e com a ajuda de faxineiras eu fui dando conta de manter organizado e limpo. Tipo sair de um lugar com 220 m² pra um de 125 era a glória. Entretanto há uns dois anos eu fiquei sem ajudante…

Quando me vi tendo que cuidar de tudo sozinha (marido cuida de tudo durante a semana e eu faxino no sábado) pensei que ainda era exagero morar em um lugar daquele tamanho. Moro com marido e um filho de 13 anos que quase não ficam em casa. Eu passo 13 horas por dia no trabalho. Nossa casa é praticamente um dormitório, mas bagunça demais. Pega poeira em excesso por conta das construções que existem em grande número aqui na região. Na verdade tudo suja tanto por que só é realmente limpo uma vez por semana. E isso é o máximo que consigo.

De uns meses pra cá, analisando isso tudo, comecei a desejar me mudar pra um lugar menor. Tipo com, no máximo, 70m² com dois quartos. Quase a metade do meu… Creio que para tres pessoas é o tamanho ideal. No começo o desejo principal era o de ter mais tempo de lazer e gastar menos com a arrumação, mas hoje tem mais coisa misturada.

Na carona desse desejo de morar bem em um espaço pequeno outros sentimentos começaram a surgir. Um desapego, uma ojeriza do acumulo de coisas e uma vontade de ter o minimo necessário. A sensação de colocar isso em prática me dá tanto prazer que me pergunto por que não fiz isso por mim antes. Quanto teria economizado em vida!? Muito!!

Vou começar a escrever sobre esse novo momento que tem me feito tão feliz. Faço planos de terminar 2014 morando na minha “casinha de bonecas”. Registrar essa caminhada vai me fazer bem e ajudar a ter paciência para esperar o meu momento de ser feliz vivendo de verdade uma simplicidade necessária.

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