ORGANIZAÇÃO

Padrão

Confesso que sou excelente faxineira, mas uma negação no que se refere à organização e todas as minhas tentativas de tentar implementar um pouco de ordem acabam não sendo muito eficientes. Na busca por aprender, pelo menos um pouco, como conseguir organizar minhas coisas eu acabo lendo muitos blogs que falam do assunto. Todavia, acho que as técnicas de organização que ensinam não serve para todo mundo. Como leio muito, logo percebo pequenas ciladas: se tenho que comprar alguma coisa pra poder organizar eu já fujo. Pra quem, como eu tem coisa demais, isso não dá certo. Seria colocar mais um objeto no meio do caos.

Eu trabalho de 06:30 as 19:00 de segunda a sexta feira. Tenho as noites de terças e quartas ocupadas com estudos na internet e na casa espirita que frequento. Chego em casa bem cansada e não tenho pique nenhum para fazer nada. Chego, cumprimento e converso um pouco com meu filho, brinco com minhas cachorras, tomo um café e me deito um pouco pra conversar com meu marido. Apesar de começarmos e terminarmos o dia juntos, precisamos de um tempo pra falar amenidades, brincar, enfim, ter um tempinho pra nós dois, mas que não seja relacionado ao trabalho (preciso me desligar do labor à noite, pois como cuido de crianças pequenas meu nível de stress é altíssimo).

Bem, depois disso tudo que relatei no paragrafo acima, eu não tenho vontade nem forças de lavar um garfo sequer. E sofro demais por conta disso. Se conseguisse arrumar um pouco do apartamento todo dia não acumularia tanta coisa pra limpar/organizar no dia da minha folga. Assim sendo, eu tenho duas saídas: Me conformar em ter que passar o sábado inteiro limpando/lavando/arrumando ou uso o restinho de minhas forças toda noite e faço um pouco cada dia. Escolhi a segunda opção e vou tentar colocá-la em prática ainda essa semana. Como só tenho 3 noites livres pra fazer isso terei, obrigatoriamente, que diminuir meu grau de exigência. Uma sensação que amo é aquela de sentir meu apartamento cheiroso e todos os ambientes limpos no mesmo dia. Banheiros lavados, produto cheiroso no piso, lustra moveis perfumado passado nos móveis e nas portas, roupa com amaciante secando no varal… Essa combinação me deixa muito feliz, mas vou ter que abrir mão dela se quero ter um tempinho pra me refestelar na espreguiçadeira do clube aos sábados. Por certo, meu cantinho não vai mais ficar como descrevi acima, entretanto vou ganhar em qualidade de vida.

Uma das coisas que me obrigou a mudar o rumo foi o cansaço. Ando esgotada. Esse ano não foi um ano muito fácil – na verdade foi muito muito difícil – e como tivemos poucos feriados caindo em dias da semana, meu esgotamento se adiantou. Desde agosto que me sinto insatisfeita e sobrecarregada. Precisava dar um jeito, ajustar minhas prioridades, me livrar dos excessos pra conseguir respirar um pouco. Por isso que martelo tanto na tecla de que, pra mim, vida feliz hoje é morar em um lugar com espaço suficiente para três pessoas. Nem mais nem menos…

Vou começar minha nova rotina hoje e se der certo conto aqui. Tem que dar certo! Pra esse momento, morando nesse apartamento gigante é a única solução pra que eu ainda possa continuar vivendo com saúde!

PROGRESSOS

Padrão

Quando criei este blog a primeira intenção era registrar minha mudança. Queria passar de consumista a pessoa centralizada e com foco. Dai, no meio do caminho muita coisa foi acontecendo e a vontade de escrever sobre foi tomando conta de mim. De certa forma o blog serviu – e ainda serve – como um local onde posso desabafar e falar das minhas impressões sobre diversos assuntos.

Mas de uns tempos pra cá tenho mudado muito. Não tenho dado conta de coisas em excesso ao ponto de me dar coceira, crises de rinite ao simples pensamento de relacionado a esse tema. E pra piorar (ou melhorar) minha situação tenho visto através de programas de TV o que o acúmulo faz com a vida das pessoas. Elas perdem a noção de si mesmas dominadas pelo desejo desenfreado de possuir e não conseguir se desfazer de nada.

Na ansia de entender esse momento desapegado, menos materialista e simples, andei pesquisando na internet sobre o assunto e percebi que há todo um movimento contrário ao rumo que o mundo está indo: muita gente, mas muita mesmo, anda buscando resgatar a simplicidade, possuir somente o necessário, não acumular nada desde objetos, sentimentos, pessoas, dinheiro… E fiquei muito feliz em saber que não era a única a se incomodar tanto com os excessos. E a certeza de que estou realmente mudando me veio ontem. Estava remexendo minha sapateira e vi que tenho sapatos pra vida toda. Ate eu morrer, lá bem velhinha se Deus quiser, não precisarei comprar nenhum sapato se me dispuser a andar de salto quando as sapatilhas darem o ultimo suspiro.

Pra confirmar que estava curada fui dar uma olhada no site da Arezzo que é minha marca de sapatos favorita. Nada nada nada me apeteceu. Nada! Achei tudo mais do mesmo, vi que “reeditaram” vários modelos (na verdade não devem ter sido vendidos antes e voltaram pra loja nessa coleção) e pensei: salto por salto tenho um monte. Não gosto de coloridos, os meus são mais bonitos por que são beginhos do jeito que gosto e fim. Na hora que fui ver as bolsas, o mesmo sentimento. Já tenho o suficiente. Viva!! Passei no teste.

Uma parte bem crítica nessa minha caminhada será o de deixar meu armário mais modesto. Acontece que não estou conseguindo doar o tanto que poderia. Na hora de tirar as coisas de lá eu sempre penso que um dia vou precisar delas. Eu sei que todo acumulador pensa assim e passa ano entra ano a gente acaba não usando nada. Nesse quesito vou precisar de mais ajuda e coragem. E já sei onde buscar! Vou conseguir. Vou dando pequenos passos, mas tirando o que não preciso ou quero ter até conseguir deixá-lo mais simples e usável com as peças que realmente vão me vestir de forma adequada pra minha idade e momento de vida.

Sobre as mudanças no apartamento já colhi frutos ontem. O tempo que gastava arrumando caiu em duas horas e isso é muito significativo pra mim, pois consegui até tirar um cochilo à tarde. Foi muito bom!!

Estou nesse de querer ter tempo de não fazer nada, de ficar a toa jogando no celular ou vendo TV agarradinha com meu marido, filho e minhas cachorras… E só diminuindo a quantidade de trabalho, não deixando nada pra fazer depois é que torna isso possível. Vou me organizar com a arrumação da casa durante a semana pra ficar o mínimo de coisas pra fazer no sábado. Conto isso no próximo post.

Bom restinho de domingo pra todos. Eu estou indo pra cozinha preparar o almoço dos meus amores!! E feliz demais comigo mesma! Beijos!

 Mudanças acontecem ou são planejadas. Ou planejar e deixar acontecer. A espera vem acompanhada de angústia. Aquela sensação de inseguraça, do perdido, do desconhecido. Como andar sem saber onde estar pisando. Olhos vendados, sentidos aguçados. Sinta. Mudança é um desafio que assume. Um desafio que se corre atrás. Um desafio que depende de você. Um dos maiores desafios dentro do desafio da mudança é decidir o que deixar pra trás. É preciso não ocupar todo o espaço com o já existente, deixar brechas para o novo, a serem preenchidas pelo acaso. Entretanto, como deixar para trás aquilo que é tão forte, tão resistente? Exercício de desapego. Não ocupar lugar novo com coisa velha. Se não, é faz de conta, mudança aparente. Fazer as malas com coragem e discernimento. Muito trabalho. Abandonar o antigo, preparar o novo. Vencer o medo. Vencer a insegurança. Vencer a razão. Vencer o coração. Vencer o sentimento. Vencer você. Ou perder para ser feliz. Mudanças acontecem!

CAMINHO REVERSO

Padrão

Quando me casei, lá em 1998, morei por 4 meses na casa dos meus pais. Vivemos esse tempo no meu quarto que era minusculo. Mas sabe como é que é, né? Casal apaixonado, recém casado nem pensa em nada a não ser namorar namorar e namorar. E pra isto basta uma cama. =) Nós ficamos esse tempo alojados por lá por falta de grana, uma vez que meu marido tinha comprado a casa que sua mãe tanto sonhara e precisava. Não sobrou nada pra gente, mas a carinha de felicidade e alívio dele por deixar a mãe em um bom lugar fazia com eu nem me lembrasse que nós não tínhamos uma casinha.

Dai chegou o mês de abril e com ele a renovação de contrato. Com isso pudemos alugar um apartamento, comprar móveis e enfim ter nosso tão sonhado cantinho. Alugamos um apartamento enorme com três quartos, sala, copa, cozinha, suite e por ai vai. E aquilo pra mim era perfeito. Um lugar com bastante espaço e conforto e eu fui bem feliz por lá. Mas ainda não estava bom. Queríamos uma cobertura. E compramos a tão sonhada cobertura. Era uma apê bem grande com uma área externa muito boa, churrasqueira e até banheira tinha. Eu me mudei pra lá grávida e algum tempo depois perdi o bebê. Aquele espaço todo perdeu a graça de uma hora pra outra e quando a tristeza começava a machucar mais forte por conta do aborto recebo a linda noticia de que estava esperando outro neném. A alegria me alcançou e dai tudo na minha vida girava em torno de decorar o quarto do bebê, mudar algumas coisas no apartamento pra receber com segurança aquela vida tão sonhada, desejada e amada que estava chegando.

Meu filho nasceu e passamos mais nove meses nesse apartamento… Estranho que quando penso nele não consigo achar muitas lembranças. Ele não me marcou muito. Em janeiro de 2001 fomos morar em Porto Alegre. Nosso cantinho nessa cidade tinha apenas 2 quartos, mas era enorme. Super confortável, bem decorado, prédio com área de lazer, elevador e porteiro… E eu fui muito feliz por lá. Ao voltarmos para BH decidimos nos mudar novamente para um local que tivesse elevador, pois com filho pequeno tudo era mais difícil (bolsa, carrinho e afins mais o filho no colo subindo escadas? Não combina muito!). Acabamos nos mudando para outra cobertura nova, bem maior, com elevador como queríamos. A partir dai minha ficha caiu sobre morar em espaços muito amplos.

Eu simplesmente não dava conta de limpar. A area externa, onde tinha a sauna, churrasqueira e ducha vivia suja. Nós raramente íamos lá fora, quase nunca recebíamos visita e eu percebi que aquilo tudo me fazia mais triste do que alegre. Nesse momento eu decidi que queria morar em um lugar menor, com apenas um piso e que eu não morresse de cansaço depois de limpar. Troquei de apartamento com minha vizinha. Ela subiu e eu desci e isso foi a melhor coisa que já fiz por mim. Durante muito tempo e com a ajuda de faxineiras eu fui dando conta de manter organizado e limpo. Tipo sair de um lugar com 220 m² pra um de 125 era a glória. Entretanto há uns dois anos eu fiquei sem ajudante…

Quando me vi tendo que cuidar de tudo sozinha (marido cuida de tudo durante a semana e eu faxino no sábado) pensei que ainda era exagero morar em um lugar daquele tamanho. Moro com marido e um filho de 13 anos que quase não ficam em casa. Eu passo 13 horas por dia no trabalho. Nossa casa é praticamente um dormitório, mas bagunça demais. Pega poeira em excesso por conta das construções que existem em grande número aqui na região. Na verdade tudo suja tanto por que só é realmente limpo uma vez por semana. E isso é o máximo que consigo.

De uns meses pra cá, analisando isso tudo, comecei a desejar me mudar pra um lugar menor. Tipo com, no máximo, 70m² com dois quartos. Quase a metade do meu… Creio que para tres pessoas é o tamanho ideal. No começo o desejo principal era o de ter mais tempo de lazer e gastar menos com a arrumação, mas hoje tem mais coisa misturada.

Na carona desse desejo de morar bem em um espaço pequeno outros sentimentos começaram a surgir. Um desapego, uma ojeriza do acumulo de coisas e uma vontade de ter o minimo necessário. A sensação de colocar isso em prática me dá tanto prazer que me pergunto por que não fiz isso por mim antes. Quanto teria economizado em vida!? Muito!!

Vou começar a escrever sobre esse novo momento que tem me feito tão feliz. Faço planos de terminar 2014 morando na minha “casinha de bonecas”. Registrar essa caminhada vai me fazer bem e ajudar a ter paciência para esperar o meu momento de ser feliz vivendo de verdade uma simplicidade necessária.

Lutas Diárias

Padrão

Ontem tive que ir à Caixa e o atendimento foi mais rápido que esperava e por isso fiquei uns vinte minutos lá dentro.  Entediada que estava por um tempo me peguei observando as pessoas enquanto esperava meu marido me buscar. Tinha um rapazinho lá dentro que aparentava ter uns 13 anos vestido de forma bem simples com o cabelinho todo bagunçado todo desconcertado esperando um homem que parecia ser seu pai. Fiquei parada lá observando os dois. O pai terminou o atendimento no caixa eletrônico e foram os dois pro lado de fora do banco e subiram numa moto. Conversavam apontando as outras motos que estavam do lado e depois seguiram viagem. Esse pouco tempo em que aconteceu essa ação corriqueira e banal me fez refletir tanto!

Fiquei pensando nas minhas lutas diárias, nas coisas que ando valorizando,  nos combates que travo. Não estou gostando da minha falsa humildade, das minhas preocupações. Ando muito preocupada com coisas que me envergonho dizer.

Estou descobrindo sentimentos em mim que achava não existir. Mas existem. Ha muito coloquei em mim uma capa de fortaleza e me escondia atrás dela. Mas agora cansei. Fisica,  sentimental e moralmente. Cansei! Mas como posso me cansar com tanto pra mudar,  tanto pra transformar? Parece que tudo que escondi de mim mesma com medo de encarar resolveu me assombrar agora.

Fiquei pensando também no meu medo de morrer e deixar meu filho sem mãe e nesse medo eu só consigo pensar em deixá-lo com algum dinheiro como se assim ele ficasse bem. Entretanto eu me recordo de tudo que aprendi com a Doutrina Espírita e me convenço que ele ficaria bem se tivesse uma base moral sólida e se fosse preparado pra se virar sozinho como eu fui. Por que,  Meu Deus, não consigo fazer com ele como meus pais fizeram comigo? Porque tanto apego,  tanta proteção? O que há comigo afinal de contas? Medo. Isso. Medo.

Não me achava medrosa.  Mas sou. Tenho medos tão tolos que tenho até vergonha de dize-los. E coragens absurdas que poucos acreditariam. Sei que todas essas análises pessoais fazem parte do crescer. Fazem parte da reforma íntima tão pregada pelo Espiritismo.  Faz parte da depuração do espírito. Mas é tão dolorosa! Remexer o íntimo,  cutucar feridas que não cicatrizaram é difícil…

Mas não há volta. Não quero colocar minha capa de força novamente. Quero seguir depurando essa dor que chegou. Estou me refugiando na oração,  resignada e com muita fé em Deus,  em mim e na ajuda da Espiritualidade Amiga. Se só agora consegui me encarar no espelho é porque só agora estou forte o bastante pra dar conta da mudança.

No fim a história que contei lá em cima não tinha relação direta com minhas reflexões, mas será que não mesmo? Nada é por acaso nessa vida e se me chamou a atenção é por que ativou uma área da minha memória importante. Vai saber, né?

Que Deus abençoe esse menino e seu pai por terem despertado em mim tantos pensamentos de mudança!

Cariocas não gostam de dias nublados…

Padrão

Eu nasci no Rio de Janeiro, mas não me considero carioca. Fui apenas parida lá (fiquei algum tempo que não sei ao certo), e meu coração é mineiro. Sou toda de Minas Gerais e belo-horizontina. Usei este titulo por que partilho desse não gostar de dias nublados. Não sei o que acontece comigo, mas a impressão que tenho é que tudo vai dar errado e que essa nuvem cinza no céu faz com que meu coração também fique cinzento. A angústia bate, meu olho perde o brilho, eu acho que vou morrer (e isso nem me dói) e daí, até que o sol volte a brilhar no céu, experimento um pouco de tristeza.

Uma “bondade” em mim é que, ao contrário de algumas pessoas, eu não partilho tristeza. Nunca!! Nem com os que moram na minha casa. Fico na minha, com o peito ardendo, tento sorrir do jeito que dá e pronto. Se não posso dar coisa boa não coloco também fardos em ombros alheios. Tem gente que critica e acha péssimo que eu seja assim, mas é uma coisa que não consigo mudar e, como vejo como certo, não mudará mesmo. Fato!

Entretanto, nesse momento triste, mergulhei em mim mesma e comecei a analisar um monte de coisa. É como se ficasse horas e dias me olhando no espelho reconhecendo cada marquinha, ruga, mancha, depressão, cicatrizes que eu já sabia que existiam, mas não queria encarar… Claro que esta busca é interna e estou me vendo de outra maneira. Percebendo os gatilhos das más ações, o que me incomoda em relação ao próximo, o que me causa dores morais. Esse remexer lá dentro e sozinha pode ser desastroso se você não tiver uma base na qual se apoiar. Pode ser uma religião, uma filosofia… Mas sem essa base a coisa degringola, pois você começa a achar tudo muito normal e daí se afundar ainda mais na dor e tristeza e não conseguir sair mais dela.

Tudo que descubro em mim, busco uma base na doutrina que sigo. E isso vem funcionando. Compreendo que a dor é algo inevitável nessa vida, mas depende de nós como passar por ela. Se vou aprender alguma coisa ou somente sofrer de forma vazia. Lógico que quem é esperto prefere a primeira opção, mas eu andei tempo de mais sofrendo sem sentido. Daí alguns comportamentos gatilho se tornaram quase que “normais” e pra me livrar deles está demorando um pouquinho mais. Entretanto eu sei que toda mudança requer tempo e que a evolução é inevitável. Então momento ou outro eu vou aprender e ser obrigada a mudar. Porém é melhor fazer as coisas com calma e de forma efetiva antes de dar mais um passo com o próximo item da lista que precisa ser modificado.

Estou escrevendo isso tudo como um pedido de boas vibrações, de mim pra mim mesma, pros novos tempos que virão. Tenho sentido que muita coisa na minha vida vai mudar ainda esse ano e isso tem me feito experimentar surtos de ansiedade e isso me paralisa.

O bom de tudo é que a vida é cíclica e tudo se renova sempre. E cada dia que surge temos a oportunidade de refazer a vida, deixando os erros do passado no passado e olhando de pé para o futuro com o coração agradecido pela oportunidade de poder recomeçar outra vez!

O dia que apanhei a minha cruz

Padrão

Sabe o que é vício? De acordo com o dicionario Houaiss vício quer dizer:

1 defeito ou imperfeição grave de uma pessoa ou coisa – 2 qualquer deformação que altere alguma coisa física ou funcionalmente – 3 disposição natural para praticar o mal e cometer ações contra a moral; depravação – 4 tendência específica para (algo indecoroso ou nocivo) ou qualquer ato ou conduta por essa tendência motivada – 4.1 qualquer costume supérfluo, prejudicial ou censurável.

Olhando as definições acima podemos concluir que se trata de algo ruim. Mas ruim no sentido de péssimo (rsrsrs). Comecei semana passada a observar minha vida e percebi que cometo atos que na hora me fazem bem, mas depois me causam tremendo mal estar e isso de forma recorrente. É algo quase que automático e quando percebo já fiz. Essas ações se encaixam na definição de vicio. Beleza. Primeiro passo dado. Constatar o vicio.

Logo em seguida me perguntava o por que de ter agido dessa ou daquela maneira se no fundo eu já sabia que o mal estar chegaria rapidinho e constatei o poder de dependencia que vícios causam. Esse meu vicio é assim, quase uma droga mesmo, pois não consigo resistir mesmo sabendo que vou me F*&¨% daqui a pouco. Mesmo sabendo que meu coração vai sangrar, que vou chorar, que vou precisar de mais daquilo que quero afastar de mim e isso vira um circulo vicioso.

Houve um tempo que consegui me livrar disso tudo. Me curei. Vi a vida cheia de cor, de oportunidades, de alegria… Me dediquei a ajudar o próximo, colocar as necessidades deles antes das minhas e isso me fazia muito bem. Mas por um descuido abri novamente a porta para o “que me faz mal” e daí voltou tudo. Tudinho mesmo. E eu sofri de novo. Não entendo por que faço isso, por que tanta gente faz isso consigo mesma e repetitivamente. Se traz dor e sofrimento, logo não te faz bem e a tendência de gente normal é se afastar. Mas com pessoas quebradas como eu acontece o contrário. Será que gosto de sofrer? Será que é assim que se aprende as coisas da vida? Pastando?

Tinha o hábito feio de criticar quem vivia pensando em ter um amor pra chamar de seu. Gente que sonhava e dedicava boa parte da vida a esse sonho, mas hoje eu não faço isso mais, pois compreendo que quando a gente não é inteira fica catando caquinhos pra nos completar. E esses cacos podem ser de todo tipo: um amor, compras, sentimentos, bebidas… A lista é gigante. E agora que descobri isso preciso mudar. Não dá pra sofrer “ad enternum” cometendo as mesmas besteiras. Alguma coisa precisa ser feita. Beleza. Segundo passo dado. Encarar o vicio.

Daí que hoje pela manhã, enquanto fazia minha abençoada faxina, fiquei refletindo sobre isso, sobre a conversa que tive com um amigo semana passada, sobre as obrigações que a espiritualidade nos envia com o único propósito de nos fazer caminhar na retidão nos usando como instrumentos do bem em favor do próximo e percebi que não cabia mais em mim tal comportamento. Se eu já sei que tenho problema e sei que preciso muda-lo, até mesmo por amor a mim mesma, não faz sentido algum continuar alimentando-o. É hora de arrancar do peito e lançar fora. Doi? Claro que dói. Sangra? Demais da conta. Mas passa. Tudo passa nessa vida.

No dia 05/09 recebi pelos correios uma cartinha psicografada. Chorei feito criança ao recebê-la e abri com as mãos trêmulas. Minha primeira comunicação com o plano espiritual e lógico quase morri de alegria. Na cartinha eu era exortada em trabalhar ajudando o próximo e que eles (espiritualidade amiga) contavam comigo. Me pediam aplicação nos estudos, sugeriram um livro para ler e me disseram que era muito importante a preparação no que diz respeito aos pensamentos e ações e que: “estaremos juntos ao seu coração cooperando para que se prepare adequadamente e possa trabalhar dando o melhor de si.” Quem assinou a carta foi um Espírito de nome Bóris. Ora, se eles contam comigo que sou toda errada quem sou eu pra simplesmente virar as costas e me fingir de desentendida? Não posso. Devo parar de pensar em mim e nos meus desejos e ajudar. Sair de mim e me dar aos que precisam de ajuda. Já tenho tanto, a Vida já me deu tanto… Ficar sem poder viver uma coisa não me fará morrer. Pelo contrario: me ajudará a dar mais um passinho na senda da evolução.

Hoje eu peguei minha cruz novamente e coloquei nas costas. Não a tinha colocado no chão, mas estava com ela no colo, parada olhando o tempo passar. Hoje quebrei pontes e incendiei navios. Não tenho medo de querer voltar atrás, pois não há mais volta e não temo também a solidão, pois ninguém caminha sozinho quando tem toda uma plêiade de bons amigos torcendo por você. E daí seus desejos carnais e materialistas se tornam coisinhas até que no fim desaparecem… Que o Pai me ajude a ser firme nas decisões, que meu amanhã seja todo em favor dos que precisam e que meus desejos sejam somente os de Jesus. 

(relendo o texto vi que ficou meio truncado e sem ligação, mas escrevi do jeito que veio à mente e não queria editar. Queria algo mais bruto e verdadeiro sem as firulas das letras bem escritas.)

 

Reflexões sobre a vida corrida

Padrão

Eu tenho vindo pro trabalho a pé. É bem pertinho de casa e com isso meu filho tem podido dormir um pouquinho a mais. Nossa logística de manhã é muito corrida: Marido levanta da cama e faz nosso café. Eu levanto 10 minutos depois e acordo nosso filho. Daí cada um vai se arrumar pra podermos tomar café da manhã juntos. Saímos de casa 06:20, marido me deixa no trabalho e leva meu filho pra escola e quando volta fica comigo na escolinha até uma 10:00. Bem, nesse curto período de tempo já corremos tanto que já estou cansada.

Nesses dias que tenho vindo a pé, aproveito pra refletir um pouco, pra rezar sentindo o vento no rosto e isso tem me dado uma alegria sem tamanho! Sério! Mas ao mesmo tempo, um sentimento de inadequação enorme. Moro em um bairro de classe média, com prédios lindos e novos, carros gigantes rodando pra cima e pra baixo e eu me sinto deslocada. Nada disso é importante pra mim. Nada! É como se eu fosse um E.T que caiu em terras desconhecidas e sente saudade de casa.

Quando chego em casa à noitinha e fecho a porta do meu apartamento me sinto em um lar. De verdade!! Me sinto acolhida e adoro estar com minha família, mas não preciso de tanto espaço e quando começo a andar pelos ambientes penso que tudo poderia ser menor, e se fosse assim eu correria menos. Trabalharia um pouco menos e aproveitaria meu tempo um pouco mais com coisas importantes.

Quando penso na felicidade não a vejo em casas enormes, carros beberrões que todos sonham ter, em ter status ou morar em um bairro x ou y por que “ali moram pessoas com boa instrução” como já ouvi muitas vezes, com dinheiro guardado no banco ou viagens pro exterior, embora possa usufruir disso tudo. Minha felicidade está em ter tempo. Em ficar com meu filho ou assistir TV na cama com meu marido. E eu poderia fazer isso em qualquer lugar. Mas sabe quando você olha pra sua vida e sente que nada disso vai mudar? Que o rumo das coisas é esse (preciso pagar escola e é cara. Pra morar preciso pagar condomínio e é caro. Pra termos um lazer perto tenho que pagar o clube e é caro. Pra ter saúde eu preciso pagar o convenio medico. Pra me deslocar preciso de um carro e é caro e por ai vai) e não dá pra fugir? Não serei hipócrita a ponto de dizer que não gosto do conforto que tenho, mas queria que, pra ter conforto, não só eu, mas todos nós não precisássemos correr tanto.

O meu alento maior é poder ajudar a quem precisa. Ajudar a quem tem infinitamente menos que eu e não reclama de nada e não falo de dinheiro não, mas em todo tipo de caridade que consiste não em dar o que sobra, mas o que o outro precisa. Por isso tenho feito meus cursos na casa espírita, me privado de algumas coisas que me impediriam de ser instrumento. Sou muito grata a Deus pela vida que tenho, claro, e mais grata ainda por saber que Ele sabe que minha alegria não reside nas coisas materiais. Preciso delas pra viver na carne, mas tenho buscado precisar só do que está no espírito. Esse sim tem tido a importância merecida na minha vida!!

Até que eu consiga ser totalmente desapegada  dos bens materiais (ainda sou apegada a algumas coisas materiais) eu sigo sonhando com minha “casinha de boneca” onde viverei com as pessoas mais importantes da minha vida…