ORGANIZAÇÃO

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Confesso que sou excelente faxineira, mas uma negação no que se refere à organização e todas as minhas tentativas de tentar implementar um pouco de ordem acabam não sendo muito eficientes. Na busca por aprender, pelo menos um pouco, como conseguir organizar minhas coisas eu acabo lendo muitos blogs que falam do assunto. Todavia, acho que as técnicas de organização que ensinam não serve para todo mundo. Como leio muito, logo percebo pequenas ciladas: se tenho que comprar alguma coisa pra poder organizar eu já fujo. Pra quem, como eu tem coisa demais, isso não dá certo. Seria colocar mais um objeto no meio do caos.

Eu trabalho de 06:30 as 19:00 de segunda a sexta feira. Tenho as noites de terças e quartas ocupadas com estudos na internet e na casa espirita que frequento. Chego em casa bem cansada e não tenho pique nenhum para fazer nada. Chego, cumprimento e converso um pouco com meu filho, brinco com minhas cachorras, tomo um café e me deito um pouco pra conversar com meu marido. Apesar de começarmos e terminarmos o dia juntos, precisamos de um tempo pra falar amenidades, brincar, enfim, ter um tempinho pra nós dois, mas que não seja relacionado ao trabalho (preciso me desligar do labor à noite, pois como cuido de crianças pequenas meu nível de stress é altíssimo).

Bem, depois disso tudo que relatei no paragrafo acima, eu não tenho vontade nem forças de lavar um garfo sequer. E sofro demais por conta disso. Se conseguisse arrumar um pouco do apartamento todo dia não acumularia tanta coisa pra limpar/organizar no dia da minha folga. Assim sendo, eu tenho duas saídas: Me conformar em ter que passar o sábado inteiro limpando/lavando/arrumando ou uso o restinho de minhas forças toda noite e faço um pouco cada dia. Escolhi a segunda opção e vou tentar colocá-la em prática ainda essa semana. Como só tenho 3 noites livres pra fazer isso terei, obrigatoriamente, que diminuir meu grau de exigência. Uma sensação que amo é aquela de sentir meu apartamento cheiroso e todos os ambientes limpos no mesmo dia. Banheiros lavados, produto cheiroso no piso, lustra moveis perfumado passado nos móveis e nas portas, roupa com amaciante secando no varal… Essa combinação me deixa muito feliz, mas vou ter que abrir mão dela se quero ter um tempinho pra me refestelar na espreguiçadeira do clube aos sábados. Por certo, meu cantinho não vai mais ficar como descrevi acima, entretanto vou ganhar em qualidade de vida.

Uma das coisas que me obrigou a mudar o rumo foi o cansaço. Ando esgotada. Esse ano não foi um ano muito fácil – na verdade foi muito muito difícil – e como tivemos poucos feriados caindo em dias da semana, meu esgotamento se adiantou. Desde agosto que me sinto insatisfeita e sobrecarregada. Precisava dar um jeito, ajustar minhas prioridades, me livrar dos excessos pra conseguir respirar um pouco. Por isso que martelo tanto na tecla de que, pra mim, vida feliz hoje é morar em um lugar com espaço suficiente para três pessoas. Nem mais nem menos…

Vou começar minha nova rotina hoje e se der certo conto aqui. Tem que dar certo! Pra esse momento, morando nesse apartamento gigante é a única solução pra que eu ainda possa continuar vivendo com saúde!

Lutas Diárias

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Ontem tive que ir à Caixa e o atendimento foi mais rápido que esperava e por isso fiquei uns vinte minutos lá dentro.  Entediada que estava por um tempo me peguei observando as pessoas enquanto esperava meu marido me buscar. Tinha um rapazinho lá dentro que aparentava ter uns 13 anos vestido de forma bem simples com o cabelinho todo bagunçado todo desconcertado esperando um homem que parecia ser seu pai. Fiquei parada lá observando os dois. O pai terminou o atendimento no caixa eletrônico e foram os dois pro lado de fora do banco e subiram numa moto. Conversavam apontando as outras motos que estavam do lado e depois seguiram viagem. Esse pouco tempo em que aconteceu essa ação corriqueira e banal me fez refletir tanto!

Fiquei pensando nas minhas lutas diárias, nas coisas que ando valorizando,  nos combates que travo. Não estou gostando da minha falsa humildade, das minhas preocupações. Ando muito preocupada com coisas que me envergonho dizer.

Estou descobrindo sentimentos em mim que achava não existir. Mas existem. Ha muito coloquei em mim uma capa de fortaleza e me escondia atrás dela. Mas agora cansei. Fisica,  sentimental e moralmente. Cansei! Mas como posso me cansar com tanto pra mudar,  tanto pra transformar? Parece que tudo que escondi de mim mesma com medo de encarar resolveu me assombrar agora.

Fiquei pensando também no meu medo de morrer e deixar meu filho sem mãe e nesse medo eu só consigo pensar em deixá-lo com algum dinheiro como se assim ele ficasse bem. Entretanto eu me recordo de tudo que aprendi com a Doutrina Espírita e me convenço que ele ficaria bem se tivesse uma base moral sólida e se fosse preparado pra se virar sozinho como eu fui. Por que,  Meu Deus, não consigo fazer com ele como meus pais fizeram comigo? Porque tanto apego,  tanta proteção? O que há comigo afinal de contas? Medo. Isso. Medo.

Não me achava medrosa.  Mas sou. Tenho medos tão tolos que tenho até vergonha de dize-los. E coragens absurdas que poucos acreditariam. Sei que todas essas análises pessoais fazem parte do crescer. Fazem parte da reforma íntima tão pregada pelo Espiritismo.  Faz parte da depuração do espírito. Mas é tão dolorosa! Remexer o íntimo,  cutucar feridas que não cicatrizaram é difícil…

Mas não há volta. Não quero colocar minha capa de força novamente. Quero seguir depurando essa dor que chegou. Estou me refugiando na oração,  resignada e com muita fé em Deus,  em mim e na ajuda da Espiritualidade Amiga. Se só agora consegui me encarar no espelho é porque só agora estou forte o bastante pra dar conta da mudança.

No fim a história que contei lá em cima não tinha relação direta com minhas reflexões, mas será que não mesmo? Nada é por acaso nessa vida e se me chamou a atenção é por que ativou uma área da minha memória importante. Vai saber, né?

Que Deus abençoe esse menino e seu pai por terem despertado em mim tantos pensamentos de mudança!