Lutas Diárias

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Ontem tive que ir à Caixa e o atendimento foi mais rápido que esperava e por isso fiquei uns vinte minutos lá dentro.  Entediada que estava por um tempo me peguei observando as pessoas enquanto esperava meu marido me buscar. Tinha um rapazinho lá dentro que aparentava ter uns 13 anos vestido de forma bem simples com o cabelinho todo bagunçado todo desconcertado esperando um homem que parecia ser seu pai. Fiquei parada lá observando os dois. O pai terminou o atendimento no caixa eletrônico e foram os dois pro lado de fora do banco e subiram numa moto. Conversavam apontando as outras motos que estavam do lado e depois seguiram viagem. Esse pouco tempo em que aconteceu essa ação corriqueira e banal me fez refletir tanto!

Fiquei pensando nas minhas lutas diárias, nas coisas que ando valorizando,  nos combates que travo. Não estou gostando da minha falsa humildade, das minhas preocupações. Ando muito preocupada com coisas que me envergonho dizer.

Estou descobrindo sentimentos em mim que achava não existir. Mas existem. Ha muito coloquei em mim uma capa de fortaleza e me escondia atrás dela. Mas agora cansei. Fisica,  sentimental e moralmente. Cansei! Mas como posso me cansar com tanto pra mudar,  tanto pra transformar? Parece que tudo que escondi de mim mesma com medo de encarar resolveu me assombrar agora.

Fiquei pensando também no meu medo de morrer e deixar meu filho sem mãe e nesse medo eu só consigo pensar em deixá-lo com algum dinheiro como se assim ele ficasse bem. Entretanto eu me recordo de tudo que aprendi com a Doutrina Espírita e me convenço que ele ficaria bem se tivesse uma base moral sólida e se fosse preparado pra se virar sozinho como eu fui. Por que,  Meu Deus, não consigo fazer com ele como meus pais fizeram comigo? Porque tanto apego,  tanta proteção? O que há comigo afinal de contas? Medo. Isso. Medo.

Não me achava medrosa.  Mas sou. Tenho medos tão tolos que tenho até vergonha de dize-los. E coragens absurdas que poucos acreditariam. Sei que todas essas análises pessoais fazem parte do crescer. Fazem parte da reforma íntima tão pregada pelo Espiritismo.  Faz parte da depuração do espírito. Mas é tão dolorosa! Remexer o íntimo,  cutucar feridas que não cicatrizaram é difícil…

Mas não há volta. Não quero colocar minha capa de força novamente. Quero seguir depurando essa dor que chegou. Estou me refugiando na oração,  resignada e com muita fé em Deus,  em mim e na ajuda da Espiritualidade Amiga. Se só agora consegui me encarar no espelho é porque só agora estou forte o bastante pra dar conta da mudança.

No fim a história que contei lá em cima não tinha relação direta com minhas reflexões, mas será que não mesmo? Nada é por acaso nessa vida e se me chamou a atenção é por que ativou uma área da minha memória importante. Vai saber, né?

Que Deus abençoe esse menino e seu pai por terem despertado em mim tantos pensamentos de mudança!

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