PROGRESSOS

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Quando criei este blog a primeira intenção era registrar minha mudança. Queria passar de consumista a pessoa centralizada e com foco. Dai, no meio do caminho muita coisa foi acontecendo e a vontade de escrever sobre foi tomando conta de mim. De certa forma o blog serviu – e ainda serve – como um local onde posso desabafar e falar das minhas impressões sobre diversos assuntos.

Mas de uns tempos pra cá tenho mudado muito. Não tenho dado conta de coisas em excesso ao ponto de me dar coceira, crises de rinite ao simples pensamento de relacionado a esse tema. E pra piorar (ou melhorar) minha situação tenho visto através de programas de TV o que o acúmulo faz com a vida das pessoas. Elas perdem a noção de si mesmas dominadas pelo desejo desenfreado de possuir e não conseguir se desfazer de nada.

Na ansia de entender esse momento desapegado, menos materialista e simples, andei pesquisando na internet sobre o assunto e percebi que há todo um movimento contrário ao rumo que o mundo está indo: muita gente, mas muita mesmo, anda buscando resgatar a simplicidade, possuir somente o necessário, não acumular nada desde objetos, sentimentos, pessoas, dinheiro… E fiquei muito feliz em saber que não era a única a se incomodar tanto com os excessos. E a certeza de que estou realmente mudando me veio ontem. Estava remexendo minha sapateira e vi que tenho sapatos pra vida toda. Ate eu morrer, lá bem velhinha se Deus quiser, não precisarei comprar nenhum sapato se me dispuser a andar de salto quando as sapatilhas darem o ultimo suspiro.

Pra confirmar que estava curada fui dar uma olhada no site da Arezzo que é minha marca de sapatos favorita. Nada nada nada me apeteceu. Nada! Achei tudo mais do mesmo, vi que “reeditaram” vários modelos (na verdade não devem ter sido vendidos antes e voltaram pra loja nessa coleção) e pensei: salto por salto tenho um monte. Não gosto de coloridos, os meus são mais bonitos por que são beginhos do jeito que gosto e fim. Na hora que fui ver as bolsas, o mesmo sentimento. Já tenho o suficiente. Viva!! Passei no teste.

Uma parte bem crítica nessa minha caminhada será o de deixar meu armário mais modesto. Acontece que não estou conseguindo doar o tanto que poderia. Na hora de tirar as coisas de lá eu sempre penso que um dia vou precisar delas. Eu sei que todo acumulador pensa assim e passa ano entra ano a gente acaba não usando nada. Nesse quesito vou precisar de mais ajuda e coragem. E já sei onde buscar! Vou conseguir. Vou dando pequenos passos, mas tirando o que não preciso ou quero ter até conseguir deixá-lo mais simples e usável com as peças que realmente vão me vestir de forma adequada pra minha idade e momento de vida.

Sobre as mudanças no apartamento já colhi frutos ontem. O tempo que gastava arrumando caiu em duas horas e isso é muito significativo pra mim, pois consegui até tirar um cochilo à tarde. Foi muito bom!!

Estou nesse de querer ter tempo de não fazer nada, de ficar a toa jogando no celular ou vendo TV agarradinha com meu marido, filho e minhas cachorras… E só diminuindo a quantidade de trabalho, não deixando nada pra fazer depois é que torna isso possível. Vou me organizar com a arrumação da casa durante a semana pra ficar o mínimo de coisas pra fazer no sábado. Conto isso no próximo post.

Bom restinho de domingo pra todos. Eu estou indo pra cozinha preparar o almoço dos meus amores!! E feliz demais comigo mesma! Beijos!

 Mudanças acontecem ou são planejadas. Ou planejar e deixar acontecer. A espera vem acompanhada de angústia. Aquela sensação de inseguraça, do perdido, do desconhecido. Como andar sem saber onde estar pisando. Olhos vendados, sentidos aguçados. Sinta. Mudança é um desafio que assume. Um desafio que se corre atrás. Um desafio que depende de você. Um dos maiores desafios dentro do desafio da mudança é decidir o que deixar pra trás. É preciso não ocupar todo o espaço com o já existente, deixar brechas para o novo, a serem preenchidas pelo acaso. Entretanto, como deixar para trás aquilo que é tão forte, tão resistente? Exercício de desapego. Não ocupar lugar novo com coisa velha. Se não, é faz de conta, mudança aparente. Fazer as malas com coragem e discernimento. Muito trabalho. Abandonar o antigo, preparar o novo. Vencer o medo. Vencer a insegurança. Vencer a razão. Vencer o coração. Vencer o sentimento. Vencer você. Ou perder para ser feliz. Mudanças acontecem!

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Lutas Diárias

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Ontem tive que ir à Caixa e o atendimento foi mais rápido que esperava e por isso fiquei uns vinte minutos lá dentro.  Entediada que estava por um tempo me peguei observando as pessoas enquanto esperava meu marido me buscar. Tinha um rapazinho lá dentro que aparentava ter uns 13 anos vestido de forma bem simples com o cabelinho todo bagunçado todo desconcertado esperando um homem que parecia ser seu pai. Fiquei parada lá observando os dois. O pai terminou o atendimento no caixa eletrônico e foram os dois pro lado de fora do banco e subiram numa moto. Conversavam apontando as outras motos que estavam do lado e depois seguiram viagem. Esse pouco tempo em que aconteceu essa ação corriqueira e banal me fez refletir tanto!

Fiquei pensando nas minhas lutas diárias, nas coisas que ando valorizando,  nos combates que travo. Não estou gostando da minha falsa humildade, das minhas preocupações. Ando muito preocupada com coisas que me envergonho dizer.

Estou descobrindo sentimentos em mim que achava não existir. Mas existem. Ha muito coloquei em mim uma capa de fortaleza e me escondia atrás dela. Mas agora cansei. Fisica,  sentimental e moralmente. Cansei! Mas como posso me cansar com tanto pra mudar,  tanto pra transformar? Parece que tudo que escondi de mim mesma com medo de encarar resolveu me assombrar agora.

Fiquei pensando também no meu medo de morrer e deixar meu filho sem mãe e nesse medo eu só consigo pensar em deixá-lo com algum dinheiro como se assim ele ficasse bem. Entretanto eu me recordo de tudo que aprendi com a Doutrina Espírita e me convenço que ele ficaria bem se tivesse uma base moral sólida e se fosse preparado pra se virar sozinho como eu fui. Por que,  Meu Deus, não consigo fazer com ele como meus pais fizeram comigo? Porque tanto apego,  tanta proteção? O que há comigo afinal de contas? Medo. Isso. Medo.

Não me achava medrosa.  Mas sou. Tenho medos tão tolos que tenho até vergonha de dize-los. E coragens absurdas que poucos acreditariam. Sei que todas essas análises pessoais fazem parte do crescer. Fazem parte da reforma íntima tão pregada pelo Espiritismo.  Faz parte da depuração do espírito. Mas é tão dolorosa! Remexer o íntimo,  cutucar feridas que não cicatrizaram é difícil…

Mas não há volta. Não quero colocar minha capa de força novamente. Quero seguir depurando essa dor que chegou. Estou me refugiando na oração,  resignada e com muita fé em Deus,  em mim e na ajuda da Espiritualidade Amiga. Se só agora consegui me encarar no espelho é porque só agora estou forte o bastante pra dar conta da mudança.

No fim a história que contei lá em cima não tinha relação direta com minhas reflexões, mas será que não mesmo? Nada é por acaso nessa vida e se me chamou a atenção é por que ativou uma área da minha memória importante. Vai saber, né?

Que Deus abençoe esse menino e seu pai por terem despertado em mim tantos pensamentos de mudança!

Cariocas não gostam de dias nublados…

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Eu nasci no Rio de Janeiro, mas não me considero carioca. Fui apenas parida lá (fiquei algum tempo que não sei ao certo), e meu coração é mineiro. Sou toda de Minas Gerais e belo-horizontina. Usei este titulo por que partilho desse não gostar de dias nublados. Não sei o que acontece comigo, mas a impressão que tenho é que tudo vai dar errado e que essa nuvem cinza no céu faz com que meu coração também fique cinzento. A angústia bate, meu olho perde o brilho, eu acho que vou morrer (e isso nem me dói) e daí, até que o sol volte a brilhar no céu, experimento um pouco de tristeza.

Uma “bondade” em mim é que, ao contrário de algumas pessoas, eu não partilho tristeza. Nunca!! Nem com os que moram na minha casa. Fico na minha, com o peito ardendo, tento sorrir do jeito que dá e pronto. Se não posso dar coisa boa não coloco também fardos em ombros alheios. Tem gente que critica e acha péssimo que eu seja assim, mas é uma coisa que não consigo mudar e, como vejo como certo, não mudará mesmo. Fato!

Entretanto, nesse momento triste, mergulhei em mim mesma e comecei a analisar um monte de coisa. É como se ficasse horas e dias me olhando no espelho reconhecendo cada marquinha, ruga, mancha, depressão, cicatrizes que eu já sabia que existiam, mas não queria encarar… Claro que esta busca é interna e estou me vendo de outra maneira. Percebendo os gatilhos das más ações, o que me incomoda em relação ao próximo, o que me causa dores morais. Esse remexer lá dentro e sozinha pode ser desastroso se você não tiver uma base na qual se apoiar. Pode ser uma religião, uma filosofia… Mas sem essa base a coisa degringola, pois você começa a achar tudo muito normal e daí se afundar ainda mais na dor e tristeza e não conseguir sair mais dela.

Tudo que descubro em mim, busco uma base na doutrina que sigo. E isso vem funcionando. Compreendo que a dor é algo inevitável nessa vida, mas depende de nós como passar por ela. Se vou aprender alguma coisa ou somente sofrer de forma vazia. Lógico que quem é esperto prefere a primeira opção, mas eu andei tempo de mais sofrendo sem sentido. Daí alguns comportamentos gatilho se tornaram quase que “normais” e pra me livrar deles está demorando um pouquinho mais. Entretanto eu sei que toda mudança requer tempo e que a evolução é inevitável. Então momento ou outro eu vou aprender e ser obrigada a mudar. Porém é melhor fazer as coisas com calma e de forma efetiva antes de dar mais um passo com o próximo item da lista que precisa ser modificado.

Estou escrevendo isso tudo como um pedido de boas vibrações, de mim pra mim mesma, pros novos tempos que virão. Tenho sentido que muita coisa na minha vida vai mudar ainda esse ano e isso tem me feito experimentar surtos de ansiedade e isso me paralisa.

O bom de tudo é que a vida é cíclica e tudo se renova sempre. E cada dia que surge temos a oportunidade de refazer a vida, deixando os erros do passado no passado e olhando de pé para o futuro com o coração agradecido pela oportunidade de poder recomeçar outra vez!