O DIA QUE ABANDONEI MINHA CRUZ

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O título pode ser um pouco dramático, mas eu sei que só esse caberia. Eu sempre escrevo algo a partir do titulo que vem à cabeça num estalo e daí desenvolvo a história.

Hoje vou contar como abandonei minha cruz e me perdi, temporariamente, em ilusões.

 

Eu sempre fui muito pé no chão e nunca gostei muito de “voar” (deve ser por isso que não consigo assistir Salve Jorge! Rsrsrs). E toda vez que me aventurava nesse quesito me arrependia e voltava pro meu lugar, pois sempre tive a exata noção de onde pertencia. Acontece que um dia conheci a Doutrina Espírita e percebi que não me conhecia! Quando passei a me auto avaliar fui descobrindo em mim sensações, sentimentos, emoções que jamais imaginei possuir. Por exemplo: sou muito orgulhosa. Muito! Sou capaz de sofrer até o coração explodir sem demonstrar um sinalzinho sequer do que se passa por dentro só pra não me consolarem. Não gosto de pedir ou ser ajudada. Odeio me sentir fraca! Junto a isso tudo descobri, de forma verdadeira, o Livre Arbítrio! Ah que coisa linda de Deus! Quer dizer que posso fazer qualquer coisa que eu quiser? Desde que eu arque com as consequências depois? Beleza!! Uhulll!!

Munida disso, resolvi tirar lá do fundo do coração uma vontade adormecida  e guardadinha a sete chaves e dei um pouco de liberdade para ela. E ela voou!! Eu adorei a sensação e queria mais e fui dando corda. E foi nesse dia que coloquei minha cruz no chão e segui sem ela.

No começo é muito bom gozar dessa tal liberdade e mascarar com palavras bonitas uma coisa que você sabe que vai te fazer mal. Mais dia menos dia! E eu segui tranquila e feliz. Lógico que era uma felicidade mentirosa, pois não era fundada nas bases sólidas da verdade e do bem, enfim. E um dia a Vida veio me cobrar a tal liberdade. E eu sofri! Demais! Mas se você me visse por ai eu estaria com a mesma cara de todo dia, apesar de estar em mil pedacinhos por dentro.

A dor é nossa amiga sempre e nos encaminha novamente a direção que devemos seguir e nesse momento percebi que eu havia desertado da luta. E que eu não podia simplesmente fazer isso uma vez que essa luta não me foi imposta. Logo não havia motivos para achá-la injusta ou pesada demais. Ela foi escolha minha na Espiritualidade e Deus tinha a certeza que eu estava forte o suficiente para vencer. Só que eu, egoísta que sou, preferi não fazer. Escolhi o caminho mais fácil e falso e segui. No dia que caiu o véu dos meus olhos e me dei conta do que tinha feito entrei em desespero. Gente, não há nada pior para um espírita que perder tempo. Acreditamos que reencarnamos com a missão de passar por várias provas, expiar tantas outras e ao fim da vida partir com a consciência um pouco mais tranquila. Daí quando você percebe que sofreu desnecessariamente por fazer escolhas erradas, esse momento é como a morte!

Um dia acordei disso tudo, mas antes, claro que precisei sofrer um bocado, né? E segui adiante achando que tinha pegado minha cruz do chão. Ledo engano. Ela estava lá. Do mesmo jeitinho que tinha colocado! E a que coloquei nas costas era de mentira, pois voltei a errar mais um pouquinho. Devedor reincidente! Ó céus!! Pensei que não tinha mais jeito. Que estava condenada, pois tentava andar e caía, mas não por conta do peso da cruz, mas por não ver que insistia em algo que não era pra mim. Não era e não é!

Nesse momento voltei o olhar pra mim toda suja de chafurdar na lama, olhei pra minha cruz abandonada e pensei:

– Você pesa muito, me machuca às vezes, mas eu só sou feliz com você nas costas!

Sai da lama, dei meia volta, peguei minha cruz chorando e segui adiante…

(continua…)

 

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